quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Rebelles

Passando de ônibus, Ninguém percebe a árvore gigante, que quase não balança com o vento, forte, majestosa e quase arrancando o concreto em sua volta, quase caindo, mas destruindo o concreto, levando todo o prédio junto. Estática por anos, aproveitando tudo a sua volta, de repente se surpreendeu com tudo mudando: construções, fios, grades, humanos (dizendo-se evoluídos intelectualmente); encarcerando, pondo em risco sua grande fonte de vida e sombra fresca.

Isso que deve acontecer quando temos quase 18 anos. Percebemos coisas que antes eram ofuscadas pela vida boa que vivíamos, aproveitando tudo a nossa volta. Alguns, porém, percebem que isso tudo é uma farsa, distração para as verdadeiras mudanças que ocorrem lá fora. Ao ter um lapso de realidade, queremos sair dessa maldade e falsidade que nos cerca, mas já estamos presos há mais de 10 anos. Fomos pegos pelo sistema, arrancados de nossos berços, direto para a faculdade, sem tempo para respirar, pensar e escolher o que realmente nos importa.

Enganam a todos, encarceram o rebanho e os mantêm alienados. Alguns permanecem assim para o resto da vida e não dão importância aos 18 anos que viveram presos, sentem-se um pouco mais livres e para estes, somente isso basta, continuando suas vidas vazias de movimentos repetitivos. Há outros que percebem toda a fraude desde pequenos, mas tentam seguir o plano de alienação até os 18, a grande ilusão desse mundo fechado, em que uma idade significa tão pouco, porém, para os não alienados, é a idade para jogar tudo para o alto, se libertar do rebanho, arrancar o concreto.

Presos no trânsito, os alienados sempre atrasados, aproveitam para adiantar suas tarefas: pintar as unhas, colocar as pernas para cima, fumar um cigarro, ouvir uma música, fazer xixi (levantando as calças correndo com o amigo palhaço arrancando o carro), sorrir! Coisas difíceis de realizarem em casa, na escola ou trabalho. Até mesmo aqui, nunca havia me dado conta de que ninguém sorria, de que problemas na saúde, a maioria eram ligados à boca. Cigarro, má alimentação, infecções, dentes pobres; tudo passava despercebido, Ninguém nunca sorria.

Minha infância cheia de alegrias, tranquila, com saúde e viagens anuais, foi guardada dentro de três caixas pretas, que passam todos os dias imagens felizes para a iludida família brasileira. Onde será que esconderam a cumplicidade, o carinho, respeito e atenção? Me sinto consumida até a última gota, vazia de sentimentos por essa sociedade que prega igualdade em sua falsa democracia. Não serão os 18 anos que me libertarão, mas sim a raiva contida por tanto tempo que não se aguenta mais dentro de mim. É a idade em que as cobranças do sistema chegam ao seu último grau e que alguns conseguem mandá-las pra MERDA.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Presente!

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram. Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar. As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.

Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais. Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal". Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará! Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és, lembra-te: Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão.

Fernando Pessoa

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Muito além disso

Há pouco mais de um mês, encontrei uma bela canceriana com os mesmos interesses e pensamentos que eu, com um leque de conhecimentos para me ajudar. A pessoa ideal para compartilhar da ataraxia, pois é capaz de alcançá-la comigo, com o mesmo objetivo de querer sempre mais do futuro. Há apenas um mês, mas já parece ter anos, o futuro já está acontecendo e minha felicidade enfim está sendo encontrada.

Nunca fui corajosa, a única diferença agora é que tenho Ninguém que compartilha dos mesmíssimos medos que eu sempre tive. É estranho, mas você me dá forças, nossos medos juntos se fortalecem, se transformam em coragem. Em uma coragem lógica, que nos leva a planejar tudo antes de executar, nos faz ser excelentes e realmente perfeitas juntas. Ainda dominaremos o mundo!

Obrigada por existir, por me aturar, por me fazer muito feliz. Por me amar, por já fazer tantas coisas por mim. Por compartilhar de tantas coincidências, qualidades e defeitos, pelas gargalhadas intermináveis e momentos inesquecíveis. Obrigada por ser Ninguém tão especial e foda, inimaginável! Je t'aime ma belle, que venham anos e anos ao nosso favor, pois o que mais quero é tê-la ao meu lado.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Realidade

O quanto tudo isso pode ser real? Sua respiração, seu jeito de falar, nossas qualidades e defeitos perfeitos, seu cheiro, seu sorriso, as coincidências... Fico esperando a parte em que tudo acaba, que algo acontece e você desaparece. Fico a espera do inevitável, que o casal sem brigas, cheio de coisas em comum, acabe se separando. Ninguém entende, sabe lidar com a realidade de que o pior não acontecerá e de que na verdade tudo é real. Até o que eu achava que poderia nos abalar, você transformou em algo para eu ficar mais boba. Não sei como consegui lidar com isso, consegui te contar, vi em você o mesmo que sentia e agora ficaremos mais bobas com o passar do tempo. Já temos planos e isso não é ruim, nos mostra o quanto significamos e podemos durar uma para a outra. Obrigada por existir, eu sei que é real, mas é difícil acreditar que todos os meus sonhos se realizaram tão rápido e que você é a materialização de todos eles.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Completa

Os sonhos dele eram muito pequenos pra ela, ela adquiriu experiência suficiente para ser capaz de conquistar muito mais. Conheceu a verdadeira libertação! Ela havia machucado e iludido tantas que rejeitou. Rejeitaria mais algumas até que conseguisse ficar sozinha novamente ou se arrependeria a tempo de salvar algumas amizades? Mesmo precisando tanto de alguém para curá-la, não achava a que lhe agradava. Mulheres, tão difíceis de compreender, até a si mesmas.

Para ser despertada do sonho vazio onde tinha tudo, mas não era nada, ela teria que esperar tanto. E era tão boa nisso, por que não? Parecia que com a esperança a coragem havia chegado, não precisava esperar mais nada. Mas justamente quando menos se espera, tudo se encaminha. Era demais para ser real, uma estranha felicidade, com tantas coincidências acontecendo novamente.

Ela era tudo que havia imaginado ou até mesmo planejado. A cultura, inteligência, escultura.. uma bela arte de libertação, um monumento avançando no tempo, até cair em suas mãos. Prontas para viverem o melhor tempo de suas vidas. Os mesmos sonhos e as mesmas realizações, tudo calculadamente inesperado. Não podia deixar escapar essa chance, era demais pra ela.

Ninguém poderia imaginar, Ninguém poderá substituir,
Ninguém tão foda e inevitável!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Inimaginável

"I don't have faith in words, it's so empty, but I have something
that needs to be full of nobody.. so.. give me a cigar?

Liar!

Do you wanna be my... my... my girlfriend? :OOO

Shit!"

Ninguém é meu e eu sou de Ninguém, Ninguém é tudo pra Ninguém,
Ninguém substitui tantas pessoas, tantas lembranças, tantas coisas,
Ninguém é insubstituível. Ninguém nunca me fez sentir tão bem!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Descontração

Ninguém me faz rir, sorrir, gargalhar
Ninguém me faz aprender e ensinar
Ninguém me faz relaxar

Ninguém é único, sem contradições
Ninguém é útil, das palavras aos feitos
Ninguém é genioso em seus gestos, faz bem
Ninguém me faz muito bem

Em pensar que não gostava de ninguém,
Eu pegava todo mundo, agora pego Ninguém.
Ninguém agora também pega Ninguém.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Enfim

Os dias agora passam rápido, com algo mais, sem gosto de saudade, sem a falta que destruía o corpo e maltratava a mente vazia. Tudo pode ter sido só uma confusão dessa mente complicada, que como sempre cria coisas além da conta. Somente mais um história sem final feliz, que ficará exposta em seus cadernos. Afinal, o que temia aconteceu sem nem mesmo perceber. Não há som ao pronunciar seu nome, não há imagem nos flashes que aparecem, já não há lembrança da sua ausência.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Surprise

A madrugada fez algumas surpresas, a noite me ofereceu abrigo já não tem muito tempo, a fome de algo mais me cobriu por inteira. Me vejo escondida e escondendo. Me mostro todo dia, a cada dia mais. Futilidades nunca me fizeram tão bem e isso parece me levar ao retrocesso cada vez mais. Pensar no depois é tão inoportuno numa fase tão bela que se chama presente, justamente por ser dado de graça, sem pedir nada em troca, entregue em nossas mãos para ser aproveitado da melhor forma. A melhor forma não importa se é certa ou errada, só se faz algum bem. E enquanto estiver fazendo este tipo transformação, ele não deixará de ser usado e abusado. Meu presente passou a valer mais que a vida inteira que passei o procurando por aí.. Vivendo como se fosse morrer hoje, por que o amanhã nem existe ainda, o sol não se pôs e nem nasceu.

Static

Costumava ser
Como de costume
Viver
Respirar e transitar pela rua
Como um borrão cinza
De uma pintura crua

Outra temporada
Quase invisível

Escuro
Fumaça
Suor
Até mesmo cheiro de sangue
Abafado pelo álcool
Pele
E sons

Ao seu lado pode estar
A resposta de várias perguntas intermináveis
Um dentre tantos
Vários
Bem ali

Outra temporada
Quando você não é capaz de enxergar
Está ali de novo
A cor que faltava na pintura
E você ainda não acredita
Mas deixe estar

Nova temporada
E você já não sabe mais nada
Só quer deixar seguir
Nada te prende mais
Deixa as temporadas seguirem
Larga o medo
E começa a pintar

Marina Miakiddo

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Filosofando

Os fracos agridem, mas os fortes são tolerantes. Os fracos excluem, mas os fortes são pacientes. Agora lhes peço que não sejam tolerantes com seus fantasmas. Lutem com todas as forças contra tudo o que lhes perturba a mente. Não há dois dominadores. Ou vocês dominam suas preocupações ou elas os dominarão. Ou domesticam seus sentimentos de culpa ou eles os tornarão seus servos. Gritem, tenham acessos de raiva contra o humor triste, os pensamentos fixos, a alienação, a compulsão. Não há gigantes. Repartam suas batalhas com seus amigos. E se não as vencerem, procurem um especialista. A existência é preciosa demais para se confinar a um cárcere.

E, no fim das contas, o que é a anarquia? Não é sobre tornar-se alguém melhor. É sobre ser alguém! É a voz que quase te implora: faça isso. Pare de pensar nos outros ou no que pode acontecer amanhã. Nós vivemos em stand-by. Ignorando todas as chances que aparecem. Você pode morrer hoje. "Que eu nunca seja completa. Que eu nunca esteja satisfeita. Que as fichas caiam onde tiverem que cair."

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Discernimento

Eu estou tão longe agora, estive sem recursos
Lembro quando perdi a cabeça. Havia algo tão agradável naquela fase.
Até mesmo suas emoções tinham um eco, um eco em tanto espaço.
E quando você ficou de fora sem cuidado, eu estava fora de alcance.
Mas não foi porque eu não sabia o suficiente,
Eu apenas sabia demais..

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Dor

Me machucava tão para baixo,
me fiz em mil pedaços
Dilacerando o corpo,
tornando visível o que há por dentro.

Engulo palavras para sobreviver,
solto frases para morrer
Engulo sorrisos para parecer falso,
solto lágrimas, sendo idiota.

Me machucava tão para baixo,
me fazendo delirar sozinha.
Não pensava nas concequências,
brincava como uma criança

Pronta para entrar em cena
e dilacerar todas as verdades impostas.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Descobrindo-se

O barulho do relógio ecoa de novo pela casa. Somos tão desgovernados e ao mesmo tempo tão governados por tudo. Estranho se descobrir em outras pessoas, achar conceitos que melhor te definem pelas palavras de alguém. Isso era o que faltava, sempre que ela procurava olhares por todos os cantos que simplismente se fixassem ao dela, em um flerte que durasse mais de dois minutos. Eternamente insatisfeita e confusa; preocupada mais com os outros pelo medo de se ver sozinha ao se preocupar só consigo mesma.

As paredes do banheiro se encolhem e tudo perde a tão apreciada importância que ela dá a todos. Toda a atenção é voltada para si, em um longo minuto ela se reconhece pela pupila da mente. Já não sabe quem a conhece e já não se conhece mais, mas a viagem que faz dentro de si se torna mais importante que tudo. Um dia ela será mais importante do que imagina para todos e conseguirá se aventurar nessa viagem sem volta,
em busca de si mesma.

domingo, 17 de outubro de 2010

Esperança

Cansada de colher flores em arbustos sem frutos. Resolvi andar mais à frente, em busca de um jardim diferente. Olhei para trás e não consegui deixar aquele mórbido adolescente, ele cura minha ferida com pequenas e murchas flores doentes. Aquele grande coração me encantava, por haver ali dentro tanto amor à coisas descontentes. Ali eu sempre estarei, pois foi lá que eu deixei escapar meu pequeno e grande coração doente. Deixei no jardim de arbustos sem frutos para que o único jasmim surgisse novamente. Depois de tanta doença, talvez deixando um pedaço do coração de meu adolescente, eu curasse todas as flores inexistentes.

"Serei o reflexo de tua alma onde quer que esteja"

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Estática

Por doze horas viro estátua
Procuro vozes que possam me impedir de fazer algo
Procuro sorrisos que me impulsionem a fazer aquilo
Procuro tédios que me conduzam ao sofrimento
Me pego pensando no amor, desisto de existir.
E logo estou lá de novo, olhando para um só canto
tentando mover meus olhos de vidro para o lado
em que exista uma sombra, uma trégua,
para o sorriso sujo que tenho que deixar em meu rosto

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Fracasso

Muitos querem que os ouça, mas poucos querem te ouvir, muitos dizem ser algo e logo depois já são outra pessoa. As coisas mudam, é verdade, mas certas coisas nao deveriam mudar, nao mesmo. Tentamos realmente fazer o melhor, dando nosso melhor, mas no final somos somente um nada! Somente merda, como todos os outros.

Atitudes impensadas levam à dúvida e à imperfeição. Não pensar é não existir, não existir seria o que quer, o que já está fazendo. Só o contrário solucionaria a angústia, mas isso parece ser o que não quer. Seria tão mais fácil erguer a cabeça e seguir em frente. Ao invés de tentar fazer algo que nao dará certo, por você não estar pensando antes de fazer.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Apenas palavras

Todos passam sem nem te notar
Podem parar, conversar, mas nada demais
Coisas banais, sem
importância ao ponto de cativar

Depois não irá me reconhecer mais
Passará sem notar ou só fingirá
Apenas para me dar o gosto da culpa

A miséria por sofrer demais, por sentir demais
Todo o peso do mundo, toda a dor da existência
Toda a saudade insistente, de um amor inexistente