quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Descontração

Ninguém me faz rir, sorrir, gargalhar
Ninguém me faz aprender e ensinar
Ninguém me faz relaxar

Ninguém é único, sem contradições
Ninguém é útil, das palavras aos feitos
Ninguém é genioso em seus gestos, faz bem
Ninguém me faz muito bem

Em pensar que não gostava de ninguém,
Eu pegava todo mundo, agora pego Ninguém.
Ninguém agora também pega Ninguém.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Enfim

Os dias agora passam rápido, com algo mais, sem gosto de saudade, sem a falta que destruía o corpo e maltratava a mente vazia. Tudo pode ter sido só uma confusão dessa mente complicada, que como sempre cria coisas além da conta. Somente mais um história sem final feliz, que ficará exposta em seus cadernos. Afinal, o que temia aconteceu sem nem mesmo perceber. Não há som ao pronunciar seu nome, não há imagem nos flashes que aparecem, já não há lembrança da sua ausência.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Surprise

A madrugada fez algumas surpresas, a noite me ofereceu abrigo já não tem muito tempo, a fome de algo mais me cobriu por inteira. Me vejo escondida e escondendo. Me mostro todo dia, a cada dia mais. Futilidades nunca me fizeram tão bem e isso parece me levar ao retrocesso cada vez mais. Pensar no depois é tão inoportuno numa fase tão bela que se chama presente, justamente por ser dado de graça, sem pedir nada em troca, entregue em nossas mãos para ser aproveitado da melhor forma. A melhor forma não importa se é certa ou errada, só se faz algum bem. E enquanto estiver fazendo este tipo transformação, ele não deixará de ser usado e abusado. Meu presente passou a valer mais que a vida inteira que passei o procurando por aí.. Vivendo como se fosse morrer hoje, por que o amanhã nem existe ainda, o sol não se pôs e nem nasceu.

Static

Costumava ser
Como de costume
Viver
Respirar e transitar pela rua
Como um borrão cinza
De uma pintura crua

Outra temporada
Quase invisível

Escuro
Fumaça
Suor
Até mesmo cheiro de sangue
Abafado pelo álcool
Pele
E sons

Ao seu lado pode estar
A resposta de várias perguntas intermináveis
Um dentre tantos
Vários
Bem ali

Outra temporada
Quando você não é capaz de enxergar
Está ali de novo
A cor que faltava na pintura
E você ainda não acredita
Mas deixe estar

Nova temporada
E você já não sabe mais nada
Só quer deixar seguir
Nada te prende mais
Deixa as temporadas seguirem
Larga o medo
E começa a pintar

Marina Miakiddo

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Filosofando

Os fracos agridem, mas os fortes são tolerantes. Os fracos excluem, mas os fortes são pacientes. Agora lhes peço que não sejam tolerantes com seus fantasmas. Lutem com todas as forças contra tudo o que lhes perturba a mente. Não há dois dominadores. Ou vocês dominam suas preocupações ou elas os dominarão. Ou domesticam seus sentimentos de culpa ou eles os tornarão seus servos. Gritem, tenham acessos de raiva contra o humor triste, os pensamentos fixos, a alienação, a compulsão. Não há gigantes. Repartam suas batalhas com seus amigos. E se não as vencerem, procurem um especialista. A existência é preciosa demais para se confinar a um cárcere.

E, no fim das contas, o que é a anarquia? Não é sobre tornar-se alguém melhor. É sobre ser alguém! É a voz que quase te implora: faça isso. Pare de pensar nos outros ou no que pode acontecer amanhã. Nós vivemos em stand-by. Ignorando todas as chances que aparecem. Você pode morrer hoje. "Que eu nunca seja completa. Que eu nunca esteja satisfeita. Que as fichas caiam onde tiverem que cair."

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Discernimento

Eu estou tão longe agora, estive sem recursos
Lembro quando perdi a cabeça. Havia algo tão agradável naquela fase.
Até mesmo suas emoções tinham um eco, um eco em tanto espaço.
E quando você ficou de fora sem cuidado, eu estava fora de alcance.
Mas não foi porque eu não sabia o suficiente,
Eu apenas sabia demais..

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Dor

Me machucava tão para baixo,
me fiz em mil pedaços
Dilacerando o corpo,
tornando visível o que há por dentro.

Engulo palavras para sobreviver,
solto frases para morrer
Engulo sorrisos para parecer falso,
solto lágrimas, sendo idiota.

Me machucava tão para baixo,
me fazendo delirar sozinha.
Não pensava nas concequências,
brincava como uma criança

Pronta para entrar em cena
e dilacerar todas as verdades impostas.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Descobrindo-se

O barulho do relógio ecoa de novo pela casa. Somos tão desgovernados e ao mesmo tempo tão governados por tudo. Estranho se descobrir em outras pessoas, achar conceitos que melhor te definem pelas palavras de alguém. Isso era o que faltava, sempre que ela procurava olhares por todos os cantos que simplismente se fixassem ao dela, em um flerte que durasse mais de dois minutos. Eternamente insatisfeita e confusa; preocupada mais com os outros pelo medo de se ver sozinha ao se preocupar só consigo mesma.

As paredes do banheiro se encolhem e tudo perde a tão apreciada importância que ela dá a todos. Toda a atenção é voltada para si, em um longo minuto ela se reconhece pela pupila da mente. Já não sabe quem a conhece e já não se conhece mais, mas a viagem que faz dentro de si se torna mais importante que tudo. Um dia ela será mais importante do que imagina para todos e conseguirá se aventurar nessa viagem sem volta,
em busca de si mesma.

domingo, 17 de outubro de 2010

Esperança

Cansada de colher flores em arbustos sem frutos. Resolvi andar mais à frente, em busca de um jardim diferente. Olhei para trás e não consegui deixar aquele mórbido adolescente, ele cura minha ferida com pequenas e murchas flores doentes. Aquele grande coração me encantava, por haver ali dentro tanto amor à coisas descontentes. Ali eu sempre estarei, pois foi lá que eu deixei escapar meu pequeno e grande coração doente. Deixei no jardim de arbustos sem frutos para que o único jasmim surgisse novamente. Depois de tanta doença, talvez deixando um pedaço do coração de meu adolescente, eu curasse todas as flores inexistentes.

"Serei o reflexo de tua alma onde quer que esteja"

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Estática

Por doze horas viro estátua
Procuro vozes que possam me impedir de fazer algo
Procuro sorrisos que me impulsionem a fazer aquilo
Procuro tédios que me conduzam ao sofrimento
Me pego pensando no amor, desisto de existir.
E logo estou lá de novo, olhando para um só canto
tentando mover meus olhos de vidro para o lado
em que exista uma sombra, uma trégua,
para o sorriso sujo que tenho que deixar em meu rosto

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Fracasso

Muitos querem que os ouça, mas poucos querem te ouvir, muitos dizem ser algo e logo depois já são outra pessoa. As coisas mudam, é verdade, mas certas coisas nao deveriam mudar, nao mesmo. Tentamos realmente fazer o melhor, dando nosso melhor, mas no final somos somente um nada! Somente merda, como todos os outros.

Atitudes impensadas levam à dúvida e à imperfeição. Não pensar é não existir, não existir seria o que quer, o que já está fazendo. Só o contrário solucionaria a angústia, mas isso parece ser o que não quer. Seria tão mais fácil erguer a cabeça e seguir em frente. Ao invés de tentar fazer algo que nao dará certo, por você não estar pensando antes de fazer.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Apenas palavras

Todos passam sem nem te notar
Podem parar, conversar, mas nada demais
Coisas banais, sem
importância ao ponto de cativar

Depois não irá me reconhecer mais
Passará sem notar ou só fingirá
Apenas para me dar o gosto da culpa

A miséria por sofrer demais, por sentir demais
Todo o peso do mundo, toda a dor da existência
Toda a saudade insistente, de um amor inexistente