sábado, 29 de outubro de 2016

Quem é você?

Ela queria ser alguém
Ela foi importante para alguém
E isso foi o suficiente

Ela queria ter alguém para chamar de seu
Ela viveu a eternidade por um tempo ao lado de alguém
E isso foi o suficiente

Ela queria ser extraordinária
Ela fez algo de extraordinário para alguém
E isso foi o suficiente

Ela queria ser diferente
Ela fez a diferença na vida de alguém
E isso foi o suficiente

Ela queria viver um amor intenso
Ela se aprofundou no mais puro sentimento que encontrou
E isso foi o suficiente

Ela queria ser independente, mas com alguém que dependesse dela
Ela viveu por um tempo em uma prisão de indivíduos que se tornaram um
E isso foi o suficiente

Ela queria sumir e ser ninguém
Ela se tornou ninguém no mundo por um tempo
E isso foi o suficiente

Ela queria não ter ninguém
Ela viveu uma solidão excruciante que parecia ser eterna
E isso foi o suficiente

Ela queria ser ordinária
Ela fez algo para se tornar ordinária na vida de alguém
E isso foi o suficiente

Ela queria ser comum
Mas ela não conseguia
E isso nunca seria o suficiente

Ela não queria se apaixonar nunca mais
Mas a cada pessoa encantadora que conhecia, um pouco de seu coração ficava para trás
E isso não era o suficiente

Ela queria ser livre
Mas em cada olhar que lhe oferecesse proteção ela correspondia
E isso não era o suficiente

Ela não conseguia ser livre pois todas as suas ações dependiam das reações alheias

Ela não conseguia não se apaixonar pois se alguém estivesse apaixonado por ela, ela achava que deveria retribuir pelo menos por educação

Ela não conseguia ser comum pois já havia sido extraordinária e ordinária, já havia sido alguém e ninguém, já havia sido independente e já havia tido um grande amor, ela já havia tido alguém e já havia vivido sozinha por muito tempo também.

Ela não conseguia ser comum, pois isso significava não ser alguém nem ninguém e era insuportável ficar no meio termo, como em todos os momentos de sua vida. Ela precisava fazer uma escolha e ela sempre tendia a dizer SIM, pois o NÃO fechava as portas para todas as possibilidades que a vida poderia lhe oferecer.