domingo, 30 de janeiro de 2011

Alívio

Em um quarto vazio, onde ninguém entra ou sai, um vácuo insiste em me puxar.
A maior e mais brilhante estrela está presa há tantos anos, sem chances de se libertar.
Orgulhosa, não fala com ninguém, persuade, mas não deixa ninguém entrar.
É a exortação de seu próprio ser, algo inseparável e impenetrável, que deve ser isolado.
Cheio de contradições, foi isolada mil anos luz de qualquer outro corpo celeste.
Sem chances de reatar laços, muito distante de tudo e todos.

Mas nada como um banho de água fria, refrescante, inesperado, com uma dor gostosa.
Tantos anos passaram e eu imersa na água quente, desperdiçando caminhos a seguir.
Em menos de três meses, um único balde de água fria já me congelou por inteira.
Agora recebo uma chuva constante, de conhecimento, mudanças e bem estar.
Uma chuva cristalina, limpa e incessante, que me conforta nas noites frias.
Eterna, com suas diferentes faces e fases, mas sempre tão admirável.

A noite, o luar, a madrugada, ma belle, Nobody!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Superar

Muitos acham que tenho dores de uma garota idiota, provavelmente, pois sempre sofri por futilidades: por pessoas que não se importavam comigo, por pessoas que me deram as costas, por pessoas que foram embora, por pessoas que na verdade nunca gostaram de mim o tanto quanto me importei com elas. Mas será mesmo que todo esse sentimento era verdadeiro? Ninguém soube de sua existência, só eu mesma, com minhas dores guardadas e sem demonstrar nada de bom ou ruim a todos que se foram. Me tornei a estranha e fria garota sem motivos para sorrir, existir e até sofrer, na visão de alguns.

A verdade é que sempre sofri em vão, não significou nada a ninguém, só a mim mesma. Por isso muitos acham que não tenho motivos. Devo entender isso, pois sim, fui uma idiota por muito tempo. Agora, porém, vejo o quanto amadureci por essas dores “fúteis”, enquanto os que se foram e nunca se importaram ou entenderam o que sinto, se estagnaram ou até retrocederam. O que houve? A futilidade em que viviam era maior do que minhas dores passadas e agora, enquanto me supero e passo por cima de tudo isso, eles não têm pelo o que sofrer ou se superarem, transformando-se na mesma pessoa com o passar dos anos.

O meu desespero é ver ou saber que os que ainda me importo seguem este mesmo caminho. Tento os tirar de lá, só adio conversas inacabadas e pedidos de atenção, mas devo fazer por eles o que já fizeram por mim algum dia, pois eles sim se importaram e merecem agora minha atenção. Mesmo sabendo que alguns já se afastam pouco a pouco, espero cumprir essa missão antes que partam definitivamente, pois não haverá espaço para dores acumuladas mais. Ninguém me tornou mais forte para enfrentar tudo, meu amadurecimento antes e durante nosso encontro está no mesmo patamar, de tão forte que foi o conhecimento que esta relação me trouxe. Isso com certeza é algo verdadeiro, inexplicável e que manterei para sempre.