Sempre contra o tempo, sucumbindo a girar no sentido anti-horário, mesmo sendo tarde demais. Fazendo de tudo para ser reconhecida, mesmo não merecendo e manipulando os próximos passos de antemão. Vivendo sempre o faz de conta que não vale à pena ou que só existe em sua mente, criando um fardo cada vez maior e em vão. Errando, mentindo e omitindo, sempre girando na direção contrária do que exige dos outros ou do quê transparece com sua casca cada vez mais frágil. Nunca quis ser comum, toda a vida andou contra a multidão, mas no fundo sempre soube que era extremamente fraca e igualada à todas as garotas que só querem chamar a atenção.
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
segunda-feira, 24 de agosto de 2015
A insustentável leveza do ser
Encarar o passado e aceitar o futuro
Lidar com o presente e seguir o fluxo
Não reclamar e engolir o choro
Aceitar que não há escapatória
Pois você não pode nem desejar a morte
Quando não há coragem para encará-la
Conviver nesse jogo de interesses e incertezas
Para voltar ao buraco escuro e vazio
De onde você saiu e para onde voltará
Ainda mais assustado e sozinho
Essa é a eterna injustiça de se estar vivo apenas para morrer algum dia
Se esforçar e fazer o seu melhor
Tentar entender tudo ao seu redor
Acertar, mas às vezes também errar
E assim, tudo passa a ter o mesmo peso
Pois após o "mas" não há o quê se considerar
Repetir todos os dias como se fossem ontem
Até eles se tornarem o amanhã
Até você se perder sem saber qual dia seria o hoje
Essa é a eterna injustiça de se estar vivo apenas para viver mais um dia
Lidar com o presente e seguir o fluxo
Não reclamar e engolir o choro
Aceitar que não há escapatória
Pois você não pode nem desejar a morte
Quando não há coragem para encará-la
Conviver nesse jogo de interesses e incertezas
Para voltar ao buraco escuro e vazio
De onde você saiu e para onde voltará
Ainda mais assustado e sozinho
Essa é a eterna injustiça de se estar vivo apenas para morrer algum dia
Se esforçar e fazer o seu melhor
Tentar entender tudo ao seu redor
Acertar, mas às vezes também errar
E assim, tudo passa a ter o mesmo peso
Pois após o "mas" não há o quê se considerar
Repetir todos os dias como se fossem ontem
Até eles se tornarem o amanhã
Até você se perder sem saber qual dia seria o hoje
Essa é a eterna injustiça de se estar vivo apenas para viver mais um dia
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
Falta 1 dia!
Havia um retrato pendurado no quarto da minha avó há anos, desde muito
antes de eu descobrir que eu tinha um "defeito". Eu nunca havia prestado realmente atenção àquele casal de velhinhos olhando para mim. Foi quando
descobri que o meu tataravô, que apesar de ter falecido seis anos antes do meu
nascimento, havia me entregado um pedacinho dele para que eu carregasse para
sempre.
De repente, eu me senti única e ao mesmo tempo unida a alguém, que pelo
menos em algum momento da vida, havia compartilhado dos mesmos sentimentos e
angústias que eu carregava todo aquele tempo.
Me senti grata em ter uma ligação
tão nítida com aquele senhor engraçado e franzino que eu nunca conheci, ele
provavelmente nem se importava com aquele “defeito” ou fazia até graça sobre
isso, mas eu, que havia nascido em outra época, infelizmente não era possível
aceitar aquilo como algo banal.
Então, desde que prestei atenção àquela foto e
percebi aquela ligação genética, eu resolvi que faria uma cirurgia, mas não
para apagar aquele "defeito" e sim para eu me aceitar de alguma forma e
fazer graça disso algum dia, como o meu querido tataravô fazia.
Com apenas dezessete anos de idade, eu encontrei alguém que eu sempre sonhava, mas achava que não existia. No caso, ela era real e eu tive a sorte de encontrá-la bem cedo, porque mesmo jovens, já estávamos destruídas por dentro, por isso nos conhecemos para reconstruirmos as nossas vidas, juntas.
Essa pessoa chave abriu os meus caminhos para a
verdadeira libertação e principalmente para a aceitação de toda aquela dor. Me
propiciou mudanças de atitudes e agora, propiciará minha mudança de vida, em
que enfim, consertarei aquele "defeito", que agora já nem é encarado
dessa forma.
A sociedade me obrigou a pensar assim durante a vida inteira,
mas hoje, eu só quero me sentir bem comigo mesma sem essa parte que sobra em meu corpo e me
lembra de tudo de ruim que já vivi. Esse será o último peso, o último fardo, a última máscara e a última lembrança de um passado que já não importa, pois nós estamos finalmente juntas!
E talvez, algum dia, a nossa foto esteja pendurada no quarto da terceira ou quarta geração da nossa família e signifique alguma coisa especial para eles. Tenho certeza que a nossa história existirá como prova de que mesmo incompreendidas, nós nos amamos mais do quê tudo e por isso conquistamos o infinito!
Mesmo que não esteja escrito, como na foto no quarto da minha avó, sei que todos saberão disso: "Duas criaturas que se amavam tanto, talvez até mais que Romeu e Julieta."
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
Faltam 2 dias ...
Eu ainda não me sentia completamente feliz, pois estava acorrentada ao amor doentio e às consequências ruins
do meu trauma sem fim.
Longe dos meus iguais eu voltava a ficar triste, por
isso comecei a achar que a felicidade que eu tinha com eles era falsa, mas hoje
eu entendo que aquilo foi o início da libertação de toda a repressão de
sentimentos que eu havia tido e graças à descoberta dos meus iguais, que eu
pude encontrar a chave para me desacorrentar de todos os sofrimentos.
Primeiro,
a chave abriu as correntes daquele amor que era uma mentira, uma obsessão entre
vítima e sequestrador, que havia me iludido com promessas vazias para roubar o
meu ouro e me levar ao precipício. Por sorte eu não me joguei do abismo, que
seria a solução mais fácil, mas junto com todas as consequências dessa história
ruim e dos traumas que acumulei por causa daquele defeito, a chave foi abrindo
todos os cadeados e me desenrolando de todas aquelas correntes.
Quando eu já
estava praticamente livre da minha culpa e timidez ao extremo, tive coragem de
falar e mostrar pela primeira vez o meu defeito, mas aquilo já não era
importante pra mim, pois enfim eu estava feliz, com aquela pessoa especial que
me aceitava exatamente do jeito que eu era.
[...]
domingo, 8 de fevereiro de 2015
Faltam 3 dias ...
Eu me libertei inconscientemente daquele
novo mal em minha vida, fazendo o quê eu mais sabia: algo proibido, algo que
iniciou um processo de autoconhecimento e aceitação de que eu era realmente
diferente, mas não era por causa do meu defeito, novamente era algo interno e
mais profundo do que eu imaginava.
Descobri que eu era ainda mais diferente, mas não por um defeito externo que eu
poderia esconder disfarçadamente, era algo maior e mais forte, que vinha de
dentro. Eram sentimentos e sensações diferentes,
mas que não me prendiam em um casulo como aquele “amor” doentio ou como as
consequências do trauma de ter aquele pequeno e maldito defeito de fábrica.
Era uma libertação de tudo isso, era a chance de me tornar eu mesma sem
precisar me forçar a ser diferente só para ir contra aos normais. Eu era
realmente diferente e o melhor de tudo: eu não estava sozinha!
Enfim eu achei
pessoas iguais a mim, nem superiores aos meus sofrimentos, nem inferiores aos
meus defeitos, com eles eu pude aproveitar a vida sem restrições ou empecilhos.
[...]
sábado, 7 de fevereiro de 2015
Faltam 4 dias ...
Eu consegui o quê eu queria, consegui
colocar para fora o quê eu sentia por dentro, toda a raiva e sofrimento eram
expressos através do quê eu gostava e do quê eu fazia. Porém, para piorar, eu
encontrei uma rocha no meu caminho, a personificação de tudo que eu mais
queria, mas que se tornou o quê eu mais temia.
Pela primeira vez eu fui
criticada, humilhada e excluída, não pelo meu defeito, mas indiretamente pelo o
quê ele havia me causado todo esse tempo e que agora seria ainda mais difícil
de ser mudado. Logo quando eu estava pronta para me livrar de toda aquela
timidez, logo quando eu me sentia normal mesmo sendo diferente.
Após quase um ano de prisão que foi confundido
com amor, eu fiquei acorrentada àquilo por mais três anos de sofrimento,
achando que eu era a culpada, mesmo eu sendo muito nova ou muito tímida e não
sendo responsável por nada que envolvia aquela doença.
Eu me senti assim, pois
eu já era vulnerável, eu me sentia culpada desde o dia em que havia descoberto
aquele defeito, tendo que esconder todos os meus sentimentos e me sentindo
inferior à todos, até aos que compartilhavam da mesma dor e angústia que eu.
Eu
havia aprendido que até o meu sofrimento era menos importante do que das
pessoas que lidavam com os seus defeitos à flor da pele, por isso eu aceitei o
sofrimento, aceitei que eu era o ser mais insignificante da Terra.
[...]
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
Faltam 5 dias ...
Mesmo me sentindo sempre inferior à tudo e à todos, eu comecei a ter tanto ódio dos normais, que tudo que fosse considerado
ligeiramente diferente, me agradava.
Os garotos considerados feios, nunca foram
vistos por mim dessa forma, eu os enxergava com muitas outras qualidades. Os
colegas que todos excluíam por serem estranhos, sempre acabavam conversando
comigo, já que eu me tornei um deles aos poucos.
Por fim, eu fazia de tudo para
chocar os normais, andava com roupas pretas e esquisitas, ouvia as bandas que
só os mais velhos gostavam e fazia tudo à frente do meu tempo, tudo que não era
adequado para a minha idade.
Só assim eu comecei a gostar de ser diferente, mas
logo depois eu conheci pessoas que gostavam de mim mesmo sendo assim, por isso eu
parei de me preocupar em chocar os normais, pois até eles passaram a enxergar
que eu continuava sendo uma garota legal, eu era apenas diferente.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
Faltam 6 dias ...
O normal também não tem explicação, eu
pelo menos, nunca entendia porque algumas amigas minhas eram tão felizes, pois
para mim, o sofrimento e a tristeza já eram normais.
Outras amigas tentavam
medir as suas dores com as minhas. Muitas delas tinham diferenças externas que
não dava para esconder dos demais, por isso elas sofriam muito mais do quê
eu, seja com brincadeiras, exclusão ou até violência física e emocional. Dessa forma, eu sempre
aceitava que todos estavam acima de mim, com motivos maiores que os meus, com
prioridades mais nobres ou até com dores piores.
Eu nunca tinha levado uma
surra ou sido humilhada em público por causa desse defeito, mas o fato de ser obcecada
em escondê-lo, era como ser perseguida todos os dias por uma gangue do colégio,
que a qualquer momento poderia me tirar do esconderijo e mostrar a todos o quê
eu escondia.
[...]
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
Faltam 7 dias ...
Talvez eu não tenha sofrido tanto quanto
as crianças que não tinham como esconder suas diferenças, pois para os outros
eu só era uma garota estranha que gostava de rock, eu conseguia esconder o meu
segredo.
Então, acredito que as crianças muito altas ou muito baixas, muito
magras ou com sobrepeso, com nariz grande, lábios grossos, cabelos volumosos,
dentes tortos ou simplesmente as que usavam óculos, todas elas e várias outras
podem ter sofrido muito mais do quê eu, mas justamente por ter escondido o meu
defeito, eu não tinha como justificar o porquê que eu era tão traumatizada, tão
complexada, tão isso ou tão aquilo.
Isso só me fez ficar ainda mais fraca, me
sentindo ainda mais diferente dos seres humanos normais, que precisam explicar
o motivo de tudo que é diferente, pois o quê não é igual ou comum à eles, não pode existir sem ter uma
razão aparente.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
Faltam 8 dias ...
E assim, surgiram as primeiras consequências
daquele trauma, eu que já era filha única e um pouco superprotegida, me tornei
amedrontada e não desenvolvi a coragem e ousadia de ser uma criança normal,
cheia de força e energia.
Me tornei quieta e ainda mais tímida. Como eu já era
acostumada a brincar sozinha, não foi difícil tomar aversão aos jogos e
esportes de equipe e me adequar à atividades introspectivas, como ler, escrever
e ouvir música.
Os traumas foram crescendo, o fardo foi se acumulando e a cada
dia eu tinha mais raiva de mim mesma, de não conseguir esconder aquela maldição
adequadamente ou por nunca poder me livrar dela completamente.
Me machuquei
várias vezes e sofri por cada perda que eu havia tido em apenas quinze anos de
vida, justamente por minha falta de ação, por minha falta de coragem e pela
minha timidez, que me barravam de fazer tudo.
[...]
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
Faltam 9 dias ...
"Adultos dizem que a infância é a melhor parte da vida porque não lembram mais como era ser criança." (A Lenda de Ruff Ghanor - O Garoto-cabra, Leonel Caldela)
Quando eu descobri que ser perfeita só para a minha mãe não era o suficiente, foi como se aquele mundo de faz de conta fosse uma farsa, eu deixei de ser criança e cresci. De repente eu não era a menina mais linda do mundo e definitivamente eu deveria esconder aquele defeito para sempre.
Quando eu descobri que ser perfeita só para a minha mãe não era o suficiente, foi como se aquele mundo de faz de conta fosse uma farsa, eu deixei de ser criança e cresci. De repente eu não era a menina mais linda do mundo e definitivamente eu deveria esconder aquele defeito para sempre.
Essa era a condição para que eu fizesse parte do grupo de crianças
normais, por isso passei a preocupar com o meu exterior muito antes das garotas
da minha idade, passei a me arrumar melhor com apenas dez anos de idade. Me preocupava em sempre esconder aquela parte de mim, que me perseguia todos os
dias, impedindo que eu fizesse qualquer tipo de atividade, impedindo que eu
corresse, impedindo que eu nadasse, impedindo que eu pulasse, impedindo que eu
vivesse.
Mesmo eu me achando horrível, eu conseguia
conquistar "admiradores", mas a maioria só se tornaram grandes e arrasadores amores platônicos. A mania de pensar que ninguém gostava
realmente de mim era maior do quê qualquer sentimento puro e inocente, pois se vissem o quê eu escondia, com certeza não iriam querer namorar
a garota que ficava feia após uma pequena modificação no penteado.
O problema
era que eu sabia que eu não era normal, eu tinha um segredo, então não
adiantava dizer que meu rosto ou cabelo eram bonitos, pois eu escondia algo que
poderia mudar a opinião dessas pessoas em apenas um segundo.
[...]
domingo, 1 de fevereiro de 2015
Faltam 10 dias ...
Crianças que viram adultos se esquecem de
como o mundo é cruel desde a infância. Ficamos tão atarefados e preocupados com
o nosso novo mundo, que sentimos apenas saudades dos bons momentos de quando
éramos pequenos, nos esquecendo de como nesse tempo a vida já era difícil.
A
vida só foi piorando porque as responsabilidades cresceram junto conosco,
mas para uma criança o fardo é tão pesado quanto o de um adulto, às vezes ainda
mais desproporcional à sua idade e ao quanto ela é capaz de carregar ao longo
do tempo.
Para as mães, nós somos o milagre da
perfeição. Eu que sou filha única então, para a minha mãe eu sempre serei a
mais linda do mundo e ninguém nunca dividiu esse pódio comigo. Porém, desde bem pequena me ensinaram que
eu tinha algo diferente dos demais, algo que não servia para mim, que não se
adequava ao meu corpo.
Ao me arrumar para a escola ou para sair, minha mãe não
fazia questão de esconder aquele defeito, pois mães são assim, elas não
enxergam nada de errado com seus filhos e mesmo quando veem, não sentem
vergonha deles e nunca permitem que alguém critique ou zombe do jeito que eles
são. Minha mãe me forçava a mostrar aquele fardo horrível para todo mundo, pois
para ela eu era perfeita e aquilo se encaixava perfeitamente para mim.
Só que nem sempre seguimos o caminho que os pais esperam. Desde pequena eu segui tudo que queriam de mim e escondi o quê eu realmente pensava sobre isso, pois para mim isso era comum e inevitável. Até que aos poucos as máscaras foram caindo e eu descobri que não era realmente feliz seguindo os padrões que me eram impostos constantemente.
Agora, não vejo a hora de me livrar da última máscara, que foi a origem de todas as outras fantasias que vesti.
[...]
quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
Liberté, Égalité, Fraternité!
É estranho aceitar que mesmo sendo tão parecidas, nós possamos ser tão diferentes.
É difícil para nós duas admitir isso, pois sempre lutamos para mostrar à todos que não somos um casal comum, mas na verdade, temos diferenças como todos os casais por aí. Só não tornamos isso algo ruim, ao ponto de gerar brigas ou até términos como acontece na maioria das vezes.
Para nós duas, essas diferenças são necessárias para que possamos aprender, discutir, aprimorar e respeitar uma a outra, mantendo o nosso diferencial. Pois se não fosse isso, nós não nos aturaríamos, da mesma forma que se não fôssemos tão parecidas, nós não daríamos certo.
Tudo culminou para este momento, para o equilíbrio do ecossistema das nossas histórias, para o equilíbrio das nossas mentes, para o equilíbrio das nossas vidas, enfim, unidas!
Eu sempre tímida e você um pouco mais extrovertida. Eu sempre pessimista e você mais realista ou até otimista. Eu sempre insegura e você ciente do seu potencial, acreditando e mostrando o real valor das pessoas ao seu redor.
Você sempre muito exigente e eu um pouco menos rígida. Você sempre oito ou oitenta e eu balanceando tudo pelo caminho. Você sempre com um temperamento forte e quase impulsivo e eu tendendo para a calma e tranquilidade sempre que possível.
É como em um ciclo de sobrevivência, que uma coisa depende da outra para existir e no final das contas, se um pequeno pedaço de nós fosse diferente ou se tivéssemos agido de uma determinada forma no passado, não estaríamos juntas.
Talvez continue assim até o fim das nossas vidas, em uma boa casa de repouso com todo o conforto e diversão possível, em que desfrutaremos da nossa cumplicidade, amor e respeito nas nossas bodas de ouro, ametista, diamante, ferro, vinho, brilhante ou até de carvalho!
Mesmo que eu queira viver até mais de cem anos e você queira parar nos setenta, tenho certeza que como sempre, entraremos em acordo até sobre a morte, durante um longo diálogo em que decidiremos que já está na hora de partirmos. E assim, nos despediremos com um último "Boa noite", rumo ao infinito sonho de uma eternidade juntas!
21/01/2015 - Aos quatro anos e meio de noivado ♥ Je t'aime pour toujours ma belle inglesa!
É difícil para nós duas admitir isso, pois sempre lutamos para mostrar à todos que não somos um casal comum, mas na verdade, temos diferenças como todos os casais por aí. Só não tornamos isso algo ruim, ao ponto de gerar brigas ou até términos como acontece na maioria das vezes.
Para nós duas, essas diferenças são necessárias para que possamos aprender, discutir, aprimorar e respeitar uma a outra, mantendo o nosso diferencial. Pois se não fosse isso, nós não nos aturaríamos, da mesma forma que se não fôssemos tão parecidas, nós não daríamos certo.
Tudo culminou para este momento, para o equilíbrio do ecossistema das nossas histórias, para o equilíbrio das nossas mentes, para o equilíbrio das nossas vidas, enfim, unidas!
Eu sempre tímida e você um pouco mais extrovertida. Eu sempre pessimista e você mais realista ou até otimista. Eu sempre insegura e você ciente do seu potencial, acreditando e mostrando o real valor das pessoas ao seu redor.
Você sempre muito exigente e eu um pouco menos rígida. Você sempre oito ou oitenta e eu balanceando tudo pelo caminho. Você sempre com um temperamento forte e quase impulsivo e eu tendendo para a calma e tranquilidade sempre que possível.
É como em um ciclo de sobrevivência, que uma coisa depende da outra para existir e no final das contas, se um pequeno pedaço de nós fosse diferente ou se tivéssemos agido de uma determinada forma no passado, não estaríamos juntas.
Talvez continue assim até o fim das nossas vidas, em uma boa casa de repouso com todo o conforto e diversão possível, em que desfrutaremos da nossa cumplicidade, amor e respeito nas nossas bodas de ouro, ametista, diamante, ferro, vinho, brilhante ou até de carvalho!
Mesmo que eu queira viver até mais de cem anos e você queira parar nos setenta, tenho certeza que como sempre, entraremos em acordo até sobre a morte, durante um longo diálogo em que decidiremos que já está na hora de partirmos. E assim, nos despediremos com um último "Boa noite", rumo ao infinito sonho de uma eternidade juntas!
21/01/2015 - Aos quatro anos e meio de noivado ♥ Je t'aime pour toujours ma belle inglesa!
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
Um brinde ao tédio
Às vezes eu tenho mais medo de possuir do quê de perder, pois a cada minuto que se alonga, mais próximos estamos do fim de todas as coisas.
E como eu tenho medo disso, do término inevitável que sempre interrompeu meus caminhos.
Há muitos anos parei de viver o presente para construir o futuro, por isso me acostumei a me manter sempre à frente dos acontecimentos e a cada ano tudo passa ainda mais rápido.
Não tenho filhos ou marido, mas virei escrava de mim mesma. Uma jovem garota que queria revolucionar o mundo e tornou-se comum gradativamente.
Mesmo que isso não seja ruim e mostre amadurecimento, eu queria sentir pelo menos uma pequena certeza de que voltarei algum dia a ter aquela leveza que me acompanhava por aí.
Nunca quis ser uma pessoa comum, pois eles vivem sempre em linha reta, que consiste em dois rumos covardes e injustos: encarar ou desistir.
Desistir e voltar para a solidão que eu conhecia tão bem.
Ou encarar, encarar uma realidade que eu nunca desejei.
Às vezes eu tenho mais medo de existir do quê de morrer, pois a cada minuto que se alonga, mais próximos estamos da possibilidade de nada acontecer.
E como eu tenho medo disso, da inevitável morte que nunca cruzou o meu caminho.
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