Era uma sexta-feira extremamente comum.
A garota se levantou atrasada para ir à escola, já não chegava no horário há muito tempo e sempre conseguia sair após o intervalo, pois a rotina lhe consumia ao extremo. Ela almoçava correndo e encarava um longo percurso para chegar ao curso que fazia à tarde e consumia muito de seu tempo, mas era a escapatória de seu cotidiano adolescente.
Aquela garota vazia se diferenciava dos demais apenas por encarar o mundo da pior forma, com pensamentos e sentimentos que a isolavam constantemente, mas também chamavam a atenção de alguns indivíduos momentaneamente, que tinham atração por sua estranheza.
Nos últimos meses a garota se divertia com o maior número de pessoas que não sabiam nada sobre sua vida, interesses ou conhecimentos, pois assim ela se sentia livre do maior fardo que carregava desde o nascimento: ela mesma.
Porém, ela percebeu que ignorar o seu "eu" era uma típica atitude de si mesma, que havia lhe perseguido até ali durante todos aqueles anos. Viver em um mundo de futilidades não a distraia o suficiente, pois ela não se livrava de si mesma quando ficava sozinha.
Há algumas semanas ela havia dado outra chance a um garoto, só para saber se ele era capaz de se mostrar mais interessante, pois compartilhava de seu individualismo e entendia algumas de suas razões superficialmente. Ele conseguiu surpreender a garota, pois foi o primeiro a apoiá-la para procurar ajuda profissional e resolver seus conflitos com o espelho.
Mesmo chegando atrasada no curso, sempre sobrava tempo para a garota compartilhar um cigarro e algumas palavras com o garoto. Antes da aula, durante o intervalo ou na volta para casa ele a conduzia em longas conversas, mas com apenas um objetivo, que não agradava nada à garota: lhe conquistar, como todos os outros interesses tolos e egoístas dos humanos.
Ele queria salvá-la para chamá-la de "minha", sendo que a própria garota não se possuía. Ela fazia o garoto acreditar que estava conseguindo, pois assim teria por mais alguns dias um ombro amigo. No entanto, a garota só estava se preparando para outra pessoa, que ela só conheceria no dia seguinte, mas nem perceberia, pois trocariam apenas um olhar e dividiriam um pequeno espaço no show em que o garoto a acompanharia.
Aquele sábado seria extremamente incomum, mas a garota só descobriria dias depois, quando realmente conheceria a sua salvação, o seu verdadeiro eu, a sua metade e tudo que ela não creditava mais: a sua alma gêmea.
Em um dia de erros e devaneios, a menina do outro lado já não sabia diferenciar a diversão do exagero. No começo da noite se sentia rodeada de amigos e mal sabia que no final estaria sozinha e vazia.
ResponderExcluirCaída na escuridão, apenas uma mão se estendeu. E quando menos esperava, viu-se caminhando na chuva de mãos dadas com aquela que lhe seria eternamente, seu grande amor.
Obrigada por me salvar, obrigada pelos melhores anos da minha vida, obrigada pelo futuro maravilhoso que teremos juntas.
Rumo ao infinito ma belle!
Te amo.